Founder · Product Design · SaaS Multi-tenant
Delike
De uma dor pessoal em bares a uma plataforma de pedido, comanda e delivery multi-tenant — construída sozinha, sob pressão real de mercado.
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Visão geral do produto
O que é a Delike?
A Delike é uma plataforma de cardápio digital, comanda eletrônica e delivery para bares, restaurantes, hotéis e quiosques. Opera em três camadas — a experiência do cliente na mesa ou no delivery, o painel de gestão de cada estabelecimento, e um painel de administração da plataforma inteira — permitindo personalização de marca por loja (modelo white-label) sobre uma base de produto única.
Meu papel
Desenhei a Delike do zero, sozinho, da estratégia à operação
Defini a tese de produto, missão, visão, valores e público-alvo; estruturei o Business Model Canvas; criei a identidade visual e o design system white-label; desenhei a jornada do cliente e prototipei em alta fidelidade; desenvolvi os dois sistemas (presencial e delivery) e o site institucional; e defini os processos operacionais internos e de onboarding de novos lojistas.
Origem
A Delike começou como uma dor pessoal, não como uma oportunidade de mercado
Como cliente de bares e restaurantes, a frustração era simples: cada pedido significa duas idas do garçom até a mesa — uma para anotar, outra para entregar. A hipótese original era eliminar esse ciclo manual com pedido e acompanhamento de conta via QR Code, liberando o atendente para focar em experiência, não em logística.
A observação
Em um bar, pedidos simples (uma cerveja) consomem o mesmo ciclo de atenção de um prato que exige explicação. O garçom vai e volta duas vezes por pedido.
A validação
A hipótese foi estruturada em Business Model Canvas e testada por dois caminhos: apresentação acadêmica no MBA e entrevistas diretas com donos de bares e restaurantes.
O impasse
A tese foi validada, mas o produto não chegou a ser construído. Ficou no estágio de planejamento validado, sem execução.
Por que a Delike existe
A pandemia transformou a pergunta de "como otimizar o atendimento" para "como sobreviver sem atendimento presencial" — e deu à tese original o gatilho de execução que faltava.
A virada
A pandemia trocou a pergunta — de otimização para sobrevivência
Bares e restaurantes ficaram sem forma de vender da noite para o dia.
As soluções de delivery já existentes cobravam um percentual que a maioria não podia pagar.
A urgência virou o produto: presencial vira delivery, gratuito, em menos de dez dias.
A mesma base de produto pensada para otimizar o presencial foi redirecionada, sozinha, para resolver o problema mais urgente do momento.
Lockdown decretado no Brasil
o atendimento presencial para de existir da noite para o dia.
Decisão de pivotar
uma semana depois, a base de produto já validada para presencial é redirecionada para delivery gratuito, sem taxa por transação.
Delivery no ar
em menos de dez dias, sozinho, a primeira loja já operava na plataforma adaptada.
Execução sob restrição
Construir rápido importava menos que resolver a dor imediata
Em dez dias, sozinho, cada decisão precisava priorizar sobrevivência do estabelecimento cliente acima de robustez de produto ou de sustentabilidade financeira do próprio projeto.
Gratuito antes de sustentável
cobrar taxa sobre venda contradiria o motivo do pivot existir.
Delivery antes de presencial
a dor mais urgente do mercado mudou, e o produto seguiu ela.
Simplicidade antes de robustez
sem tempo para engenharia elaborada; o essencial precisava funcionar.
Solo antes de time
toda a adaptação técnica e de produto foi feita por uma pessoa.
O que eu escolhi não construir primeiro
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Instrumentação de analytics
não havia tempo de estruturar coleta de dado antes do lançamento; a leitura de uso veio de observação direta, não de métrica.
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Processo comercial formal
a prioridade era distribuição gratuita e rápida, não monetização.
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Feature de cobrança
qualquer fricção de pagamento teria contradito o próprio propósito do pivot.
Camada do cliente
A loja é onde a experiência precisa ser instantânea
O cliente final acessa o cardápio via QR Code (presencial) ou diretório público (delivery), sem precisar instalar aplicativo. Acompanha a própria conta em tempo real, evitando surpresa no fechamento, e — no presencial — vê também o que o resto da mesa consumiu, pensado para grupos que dividem conta.
Autonomia para o cliente é tempo de volta para o atendente.
Camada do lojista
O dashboard do dono da loja é onde a gestão do dia a dia acontece
Cada estabelecimento cliente gerencia cardápio, estoque, comandas e financeiro em um painel próprio, com identidade visual personalizável (cor, logo) aplicada em tempo real na experiência do cliente final — a base do modelo white-label da plataforma.
Cada loja opera como se o produto fosse só dela.
Camada da plataforma
O dashboard do super admin é onde a Delike gerencia todas as lojas
Acima da camada de cada estabelecimento existe uma camada de gestão da plataforma inteira — o painel que eu, como gestor da Delike, usava para acompanhar e administrar todas as lojas cadastradas. É essa camada que torna a Delike, tecnicamente, um produto multi-tenant, não um sistema de loja única replicado.
Como funciona o onboarding
Envie suas informações
o lead preenche o formulário de contato do site.
Configure do seu jeito
o cliente recebe login e senha, e personaliza marca, cores, cardápio e horários no painel.
Coloque pra rodar
a loja fica disponível para os clientes finais, com suporte e aulas on-line disponíveis.
O aprendizado
A tecnologia era a parte fácil. O timing era o produto real.
Na tentativa de vender a versão presencial no pós-pandemia, a resistência não veio da tecnologia — veio do momento. Donos de estabelecimento temiam a reação do público a mais uma camada digital, depois de um período em que QR Code virou sinônimo de despersonalização, não de agilidade. Não insisti na venda depois dos primeiros sinais. Foi uma decisão consciente de não forçar um produto contra o momento do mercado.
Boa validação técnica não substitui timing de mercado.
A jornada completa, do problema pessoal à plataforma pausada
A tese original
Antes da pandemia, a ideia nasce de uma frustração pessoal em bares e é validada em BMC, entrevistas e apresentação no MBA — mas não sai do papel.
A pandemia muda a pergunta
O lockdown é decretado no Brasil. Bares e restaurantes ficam sem forma de vender, e as soluções de delivery do mercado cobram taxa que a maioria não pode pagar.
Delivery no ar em menos de dez dias
A base de produto pensada para presencial é redirecionada, sozinho, para delivery gratuito, sem taxa por transação.
Mais de 30 lojas e cobertura de imprensa
Empresas se cadastram e usam a plataforma gratuitamente por mais de um ano. A iniciativa é coberta pelo Agora RN em maio de 2020.
A tentativa comercial
Com o fim da fase mais aguda da pandemia, a tese original volta à mesa. A resposta do mercado é sobre timing, não sobre tecnologia.
Hoje: pausada, mas com arquitetura madura
A Delike está parada, mas o que ficou por trás da operação é uma plataforma multi-tenant completa, com uma camada de gestão acima de cada loja individual.
O que a Delike me ensinou sobre desenhar produto sob incerteza real
Ler o problema antes da tecnologia, executar sob restrição extrema, e construir uma arquitetura pensada para durar além do momento — cardápio digital, carrinho, confirmação e acompanhamento, compartilhados entre presencial e delivery sob uma mesma base de produto — foram decisões que só fazem sentido quando quem desenha também está exposto ao resultado de negócio.
A maturidade de reconhecer quando parar — diante de um sinal de mercado real, não de falta de esforço comercial — é o tipo de julgamento que separa um founder solo de um designer que só executa briefing de terceiros.